Tucker's Kobolds

O conceito de "Kobolds de Tucker" foi implementado na Dragon Magazine #127 em artigo assinado por Roger E. Moore. Jogadores de altos níveis tendem a ficar entediados e acabam por não se sentirem mais desafiados, dragões já são um obstáculo transponível, assim como uma gama de monstros que são facilmente superados em relação aos jogadores que nessa altura do campeonato, já possuem armas e armaduras mágicas, magias poderosas e em grande número, além de grande poder de ataque direto. Nesse sentido, resumidamente, o conceito de "Kobolds de Tucker" traz consigo o poder do grande número de inimigos, aliado a melhores condições de defesa e ataque.

Um exemplo: Um grupo composto por 05 jogadores, todos variando entre 10º e 15º nível, estão em uma incursão em uma antiga ruína de um castelo abandonado, o guerreiro do grupo está na frente e se depara com um longo corredor com aproximadamente 1,5m de largura. Seu excesso de confiança não o deixa lembrar que isso seria um risco iminente, mas ele é um guerreiro velho de guerra e sua consciência acredita que não seria facilmente surpreendido. O grupo já está há pouco de alcançar a metade do corredor, quando é surpreendido por uma quantidade enorme de setas. O guerreiro tenta colocar seu escudo à frente mas já é atingido na perna, antes mesmo de entender de onde saíram tantas flechas. O anão grita em desespero "Feiticeiro maldito, use algum de seus truques para nos tirar daqui!!!", mas o feiticeiro logo pensa que invocar uma bola de fogo em um espaço tão pequeno seria mais vantagem aos oponentes do que ao grupo. O clérigo que mantinha a posição final na marcha tenta elevar seu escudo para limitar que as flechas atinjam os colegas, mas é surpreendido por uma garrafa com óleo flamejante se quebrando no escudo, forçando-o a soltar o equipamento ao chão. O ladino consegue acertar uma seta em um pequeno sulco na parede falsa que se quebra revelando um pequeno kobold com uma besta na mão. As flechas continuam a voar pela sala, ao que o elfo consegue invocar um encanto de vento, que sopra algumas flechas, ele tenta gritar aos colegas de grupo "Corram, vamos recuar!!!" mas não nota que um bloco de pedra é lançado do teto, através de uma portinhola, a rocha de aproximadamente 10kg o atinge na cabeça e o golpe inesperado o faz cair ao chão. Não restam muitas alternativas senão correr. O guerreiro tenta pegar o amigo elfo nas costas, mas fraqueja por conta da flecha fincada na perna, será o fim da linha?

O conceito parece se aproximar com a estratégia de guerrilha, talvez um exemplo claro sejam os vietcongs na Guerra do Vietnã, onde o ambiente era utilizado como extensão e vantagem de guerra, com bastante uso de armadilhas, emboscadas e ataques em massa. A estratégia pode forçar ao grupo a sair da zona de conforto para pensar em como efetivamente conseguir sobrepor esse problema, fazendo-os pensar em estratégias melhores ou melhores preparações para enfrentar o desafio. Outra boa representação é a incursão nas Minas de Moria onde devido ao grande número de oponentes, só resta ao hobbits e a Gandalf baterem em retirada.

Particularmente, nunca usei dessa maneira e o conceito é novo pra mim, já pensei estratégias de guerrilha mais simplistas, mas essa é sem dúvidas umas das melhores opções para tirar a sessão do marasmo. Vale lembrar que embora o nome tenha "Kobold" o conceito pode ser usado com qualquer criatura.



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